Sobre a vida
Desde nova vi amigos perdendo pessoas queridas e a dor da morte e o luto tomar conta dos outros.. mas pra mim isso nunca tinha sido real. Nunca tinha perdido alguém próximo – até poucos dias atrás, que foi quando essa “maré de sorte” acabou.
Claro que eu sabia que isso aconteceria um dia – mas tem coisas, que na nossa cabeça não são reais, que parecem distantes – até que um dia, tudo muda.
Perdi uma pessoa que era próxima, mas que infelizmente, não tínhamos conexão alguma. Triste, né?
Viver todo esse conjunto da obra, principalmente esse período após a sua partida, me proporcionou momentos de muita reflexão. É importante estarmos cientes que a morte existe para nos lembrarmos, pelo menos de vez em quando, no meio das nossas loucuras e momentos de impulsividade e surtos, que vai ter um fim.
Eu não tenho medo da morte, mas não quero morrer agora.
A única coisa certa da vida, é a morte. Infelizmente eu, você e todos aqueles que conhecemos se vão um dia.
Às vezes ela tira pessoas que amamos praticamente a força – do dia pra noite, sem um aviso, muito menos um preparo.
Estamos aqui – de repente, não estamos mais. Nós não fazemos ideia de quando isso vai acontecer a nós e aos nossos.
Sinceramente eu não tenho medo de morrer. Do sono profundo. De ser julgada merecer ou não do reino dos céus, ou se passarei a eternidade pagando pelos meus pecados (que são muitos) ardendo no fogo do inferno. Não tenho medo de descobrir o porquê de estar na convivência de determinadas pessoas nessa vida e quais foram os “bo’s” não resolvidos os quais voltarei numa próxima oportunidade para resolver.. ou seja lá o que você acredita que acontece quando nossos corações param de bater e não abrimos mais nossos olhos.
Eu só não quero morrer agora. Simples e prático.
Porém, essa não é uma escolha minha. Não temos controle sobre isso.
Bem, na verdade, talvez você me ache meio estúpida e discorde totalmente.. mas, no fundo, gosto de pensar que não temos 100% de controle sobre isso – porque alguma coisa nós podemos controlar sim, afinal, estamos falando da nossa vida.
Nesse caso, acredito que – se eu fizer a minha parte e focar naquele pedaço ao qual sou capaz de controlar – posso desfrutar de um tempo a mais na terra.
Nossas escolhas
Minha crença em termos um certo controle sobre o tempo que passamos por aqui está baseada no princípio das escolhas. Podemos escolher e fazemos isso todos os dias – se duvidar fazemos, todos os minutos.
Desde as micro escolhas como, se vamos comer um pouco de salada com nosso almoço, a que horas vamos sair de casa, e se podemos dormir mais 5 minutos, às maiores relacionadas a assuntos mais complexos: ” será que caso ou compro uma bicicleta?”.
São essas escolhas que definem para onde a nossa vida está indo e quem somos.
Às vezes as pequenas escolhas são as mais importantes e significativas. Escolhemos, por exemplo, pelo calor do momento, pelo incentivo alheio ou só porque estamos a fim mesmo, beber e dirigir. Escolhemos negligenciar ao máximo a nossa saúde e o nosso corpo e por último mas não menos importante – ignoramos a recomendação de todos os dermatologistas sobre a necessidade de passar filtro solar no rosto diariamente – por mais que fiquemos em casa.
É desse conjunto de escolhas que vamos colecionando ao longo da nossa vida, que aparecem as famosas consequências – que podem ser boas ou podem ser ruins.
O problema em tornar essas más escolhas um hábito, é que – esses hábitos que parecem inocentes, se transformam em gatilhos que acabam precocemente, pouco a pouco, com a nossa vida.
Tudo bem que somos finitos e que é difícil refletir, entender e admitir que podemos não estar escolhendo de forma muito inteligente a longo prazo. Mas basear as nossas escolhas e cultivar maus hábitos por conta da história do “só se vive uma vez” – é um tiro no próprio pé.
Más escolhas provocam perda de saúde e tempo – recursos que não recuperamos mais.
Mas é lógico que – pode ser que você seja um super ser humano, exemplo de ótimas escolhas e tudo acabe do nada amanhã, sem explicação alguma. Enfim, fatalidades.
Eu vivo como realmente gostaria? O que estou fazendo para chegar lá?
Acredito muito quando dizem que o que é pra ser nosso, será – mas eu também gosto de ter meus pés no chão e lembrar que as coisas não caem no nosso colo magicamente da noite pro dia. Precisamos mexer uns pauzinhos pra que elas comecem a acontecer.
Lembrar que a minha vida vai acabar um dia me ligou um alerta gigantesco na cabeça para um assunto relativamente delicado: sonhos e vontades.
Como equilibrar isso a todo resto?
Tenho uma lista enorme de lugares que gostaria de conhecer, comidas exóticas para experimentar e tenho sonhos muito altos quando se diz respeito ao lado profissional e à qualidade de vida que eu gostaria de ter.
A reflexão que quero fazer aqui é: pode ser que atingir todos os nossos sonhos seja impossível, mas – o que estamos fazendo para que eles se tornem mais reais?
Pra onde eu to indo? O que quero, depende exclusivamente de mim? Porque é que tomo certas decisões ao invés de outras?
Qual é o meu plano?
E eu sei que ninguém fala isso.. mas de vez em quando é bom ter um plano.
São perguntas tão simples – e, ao mesmo tempo, tão complexas…
Sou completamente contra pular etapas e fazer as coisas de uma forma totalmente sem sentido, mas às vezes desconfio (porque já vivi assim) que vamos levando a vida como se ela fosse eterna.
O tempo passa rápido demais pra gente ficar vivendo por viver. Pras coisas que queremos e objetivos que temos serem esquecidos aos poucos.
Pode ser que aquilo que mais sonhamos dependa de 38 pessoas, do universo conspirando ao nosso favor e da lua estar na fase ideal. Mas sempre vai ter a nossa parte.
Querer coisas que dependem de terceiros é custoso, mas é muito mais custoso perdê-las por falta nossa – que teoricamente somos os maiores interessados em conquistá-las.
Sonhamos como se o nosso tempo por aqui fosse infinito. E é por conta dessa mentalidade – que nunca traçamos um plano pra tirar do papel aquilo que mais queremos.
Como cuido dos meus relacionamentos e como quero ser lembrada quando eu não estiver mais aqui.
Nos maiores cuidados que temos ao longo da nossa vida, deveriam estar os nossos relacionamentos. Àqueles que fecham com a gente e que se preocupam genuinamente conosco.
Que estão por aqui na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza – tipo os votos de casamento mesmo.
Pessoas que escolhem ficar porque nos amam e torcem por nós.
Quando falo dessa pessoa que se foi, lembro que as suas conexões foram mínimas, rasas e tratadas, quase sempre, com indiferença.
Refletir sobre relacionamentos é refletir sobre quem eu gostaria de ter comigo até o final e como estou cuidando dessas pessoas.
Apesar de ser fã de conexões de longa data, acredito muito que não temos que manter por pura obrigação, relacionamentos que um dia foram ótimos e fizeram sentido, mas que por algum motivo, hoje não fazem mais.
Tenho pouquíssimos amigos e completamente consciente de que ciclos se encerram e outros se iniciam, quero ter certeza de que cultivo as pessoas certas ao meu lado.
Quero ser lembrada como alguém que soma e que proporcionou bons e agradáveis momentos aos que amo.
Durante nossa existência fazemos uma coleção de coisas que facilitam o nosso dia a dia, que nos fazem viver minimamente bem ou que nos permitem um pouco mais de conforto.. mas penso que no final, quando tudo acabar, são as pequenas escolhas, o que fizemos da nossa vida e os cuidados que tivemos com os nossos e conosco – que realmente importam.
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